Mafalda Santos & Pedro Casqueiro

CATEGORIA: CATEGORY: Exposições Colectivas
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Mafalda Santos & Pedro Casqueiro, exposição com curadoria de Alexandre Melo, Galeria Presença, Porto

PINTURAS E DESPINTURAS

Quando escrevi o meu primeiro texto a respeito de Pedro Casqueiro falei de um princípio de desmarcação que – resumindo para quem não esteja familiarizado com a linguagem do futebol – serviu para descrever uma forma de gestão e antecipação de expectativas em que cada movimento e cada posicionamento servem para sugerir ou proporcionar novos e, de preferência inesperados, movimentos e situações. Até hoje continuo a reconhecer esse princípio em cadaum dos sucessivos momentos e em cada uma das obras que formam o corpo de quase 40 anos de trabalho do artista.

Ao falar de Casqueiro sente-se sempre a tentação, se não mesmo a obrigação, de falar de pintura e a respeito da sua obra poderíamos passar em revista todas as questões sobre a “questão da pintura” ao longo dos últimos 50 anos medindo a sua obra em função das obras dos grandes mestres e pós-mestres da pintura e pós-pintura ao longo deste período. Podia até inventar algumas designações : neo-impressionismo geométrico, “profondeurs-surfaces”, “good painting”, pós-pop frio, “old neo-geo” e por aí fora sempre segundo o princípio da desmarcação. 

Se olharmos, sem conhecimento prévio do trabalho da artista, para uma fotografia frontal de um dos trabalhos de Mafalda Santos apresentados nesta exposição, teremos a impressão de estar perante uma reprodução de uma pintura : uma pintura abstrata declinada em delicadas harmonias de esbatidas gradações cromáticas. No entanto, se olharmos com mais atenção, ou se confrontados com a obra ao vivo, percebemos que não se trata de uma pintura, em nenhuma acepção da definição técnica tradicional da palavra pintura.No confronto físico direto com a obra o que sobressai é o seu caratertridimensional de construção e a força da sua presença objetual.

Se falamos de construção objetual tridimensional parece que deveríamos falar de escultura, mas a aplicação do verbo esculpir na caraterização do processo de trabalho da artista afigura-se muito forçada se não mesmo inaceitável. Trata-se de uma acumulação ( “assemblage” ? ) de resmas de papel, cortado de uma determinada maneira, agrupado, encaixilhado e apresentado de uma determinada maneira, de modo a produzir um determinado efeito : o efeito que começámos por considerar pictórico. Ao vivo, a leitura visual cede a primazia aoapelo tátil. 

Nem pintura nem escultura, em sentido estrito, e começamos a imaginar que o sentido estrito das definições tradicionais das disciplinas artísticas talvez seja demasiado estrito.

Talvez as questões de que se fala a propósito da “questão” da pintura ou da escultura não sejam questões da pintura ou da escultura.São questões de ritmo, tom, balanço, cor, luz, pele, atmosfera, textura, visão. São essas questões que unem nesta exposição na Galeria Presença as pinturas e as não-pinturas de Pedro Casqueiro e Mafalda Santos. 

São aliás estas mesmas questões que nos movem a todos nós quando resolvemos prestar atenção a uma exposição de obras de arte : ou seja, quando resolvemos prestar mais atenção ao modo como vemos e vivemos. “

Alexandre Melo, 2019

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